Um Drink no Inferno

("From Dusk Till Dawn", 1996, Dir.: Robert Rodriguez)



Tendo passado a adolescência, completado 18 anos e entrado na faculdade nos anos 90, posso dizer que acompanhei de perto o auge do grunge, a Era Telê no São Paulo e a ascensão de Quentin Tarantino. "Cães de Aluguel" e "Pulp Fiction" marcaram época e podem ser considerados obras-primas, é verdade, mas foi com o roteiro de "Um Drink no Inferno" que o ex-balconista de locadora me conquistou de verdade. Pois foi nessa mistura de policial e terror quase sempre ignorada pelos adoradores mais intelectualizados do cineasta que ele falou a minha língua, o verdadeiro idioma do rato de locadora, como se estivesse fazendo um filme entre amigos só para outros amigos entenderem. Tarantino é o cineasta da piada interna que todo mundo gosta de dizer que entendeu, apesar de poucos entenderem de fato.

Era Uma Vez no Oeste

("Once Upon a Time in the West/C'era una volta il West", 1968, Dir.: Sergio Leone)



Leia o texto completo e atualizado aqui.


Henry Fonda, Claudia Cardinale, Sergio Leone, Charles Bronson e Jason Robards

A História Sem Fim

("The Neverending Story", 1984, Dir.: Wolfgang Petersen)



Só no cinema, eu vi "A História Sem Fim" nada menos do que quatro vezes. Entre viagens a Campinas e revisões em Leme, lembro até do dia em que fui tentar ver "Máquina Mortífera" (três anos depois) e, barrado pela censura, peguei uma reprise da "História" na outra sala lemense. Isso porque, obviamente, nunca é demais voltar para Fantasia.

Blade Runner - O Caçador de Andróides

("Blade Runner", 1982, Dir.: Ridley Scott)



Mais cedo ou mais tarde, todo mundo passa por momento de autodescoberta na vida. É o fim da inocência. Quando você descobre que Papai Noel não existe, que todos que você ama um dia irão morrer, que o mundo pode não ser exatamente aquilo que você imagina. É quando você se olha no espelho e se pergunta: afinal, quem sou eu?

Alien - O 8º Passageiro

("Alien", 1979, Dir.: Ridley Scott)



Ao contrário da grande maioria das séries do cinema, cada filme da série "Alien" tem uma personalidade diferente, de acordo com seu diretor. Sei lá se alguém planejou que seria assim, mas acabou sendo. "Aliens - O Resgate" é uma ficção de ação no melhor estilo "O Exterminador do Futuro", por causa do James Cameron. "Alien³" é um suspense claustrofóbico muito melhor que o posterior "O Quarto do Pânico", também de David Fincher. "Alien - A Ressurreição" é... bem, eu só consigo me lembrar das barbaridades cometidas pelo Jean-Pierre Jeunet, como aquele bebê híbrido de alien e humano, então deve ser mesmo a "Amélie Poulain" da série. Mas tudo começou com Ridley Scott em 1979 no filme que definiu as regras do jogo: "Alien - O 8º Passageiro". Como Scott ainda não era tão conhecido na época (tinha feito apenas "Os Duelistas" dois anos antes), não dá pra dizer que havia um estilo autoral ali. Mas, olhando hoje, eu definiria "Alien" como um filme de monstro, um filme de terror. Um filme B que deu certo.

Alta Fidelidade

("High Fidelity", 2000, Dir.: Stephen Frears)



Em 1999, eu havia acabado de terminar um mini-curso de cinema e comecei a escrever um roteiro de curta-metragem com meu amigo Hebert. O nome do projeto era "3 Doses" e, como toda obra de iniciante, era bastante autobiográfica. Falava sobre amizades e desilusões amorosas. Para tentar explicar exatamente o sentido das desilusões do filme, eu escrevi "A Teoria Pedestáltica", um pequeno texto sobre amores não-correspondidos exemplificado com uma porção de músicas. Começava com "Creep" do Radiohead e por aí ia embora. Todas as canções versavam sobre o mesmo tema: colocar uma pessoa no pedestal (daí o título, criado por outra amiga, a Thais). O pessoal gostou bastante daquilo. O curta não passou do primeiro - e fracassado - dia de filmagem, mas eu creio que os atores pegaram o espírito da coisa mais por causa do texto e da fitinha K7 que o acompanhava do que por nossa pouca experiência como diretores de atores. O "3 Doses" tentou virar longa, livro, qualquer outra coisa, mas acabou virando apenas lembrança de uma época boa, depois que cada um dos envolvidos tomou seu rumo. Já a Teoria, um spin-off do roteiro, cresceu, desenvolveu-se, ganhou vida própria e foi parar na internet em 2001, onde permanece até hoje encontrando seguidores mal amados mundo afora.

Os Intocáveis

("The Untouchables", 1987, Dir.: Brian DePalma)



Minha concepção de perfeição no cinema não está necessariamente relacionada ao valor artístico, técnico ou histórico do filme. Ao meu ver, um filme perfeito é aquele que tem uma série de sequências antológicas, memoráveis, clássicas, daquelas irresistíveis que fazem você parar ao zapear pelos canais da TV. Sempre que penso nisso, o primeiro exemplo que me vem à cabeça é "Os Intocáveis". Tem a cena da escadaria, tem a cena do tribunal, tem a cena da ponte canadense, tem a cena do assassinato de Malone, enfim... escolha sua favorita. São muitas cenas grandiosas, uma atrás da outra. Nada ali é descartável, nenhum momento poderia ser melhorado. Começo, meio e fim com a mais apurada técnica cinematográfica.

Top Gun - Ases Indomáveis

("Top Gun", 1986, Dir.: Tony Scott)



Quando você diz que ouve Bob Dylan e Radiohead e seus filmes preferidos são "Era uma vez no Oeste" e "Um corpo que cai", você adquire uma certa reputação. As pessoas confiam em você, no seu julgamento, no seu gosto, na sua opinião sobre as coisas. Quando na sequência você diz que Bon Jovi e "Top Gun" estão no mesmo nível de preferência dentro do seu coração, sua reputação se torna decepção. As pessoas olham pra você com um misto de incompreensão e pena, como se você tivesse uma doença terminal, ou como se você largasse a faculdade de direito no último ano pra abrir um boteco na praia. Eu sei, eu convivo com esse olhar de reprovação a vida toda. Já me acostumei com ele. Na verdade eu já espero esse olhar das pessoas. O gosto para filmes e músicas é algo bastante particular e não cabe a mim explicar como isso funciona dentro da cabeça do ser humano. Algumas coisas simplesmente batem de um jeito diferente em cada um. A época, o contexto, o que você comeu no almoço, tudo interfere e influencia na forma como aquilo vai se consolidar (ou não) na sua vida dali pra frente. Pensando assim, questões como qualidade artística ou opinião crítica são completamente irrelevantes. E pensando assim, desconfie de quem diz que seu filme preferido é "Cidadão Kane" e sua banda preferida é Beatles. Você tem que ir além do que foi predeterminado pra você gostar nessa vida. Essa é a graça da coisa toda.

Os Caçadores da Arca Perdida

("Raiders of the Lost Ark", 1981, Dir.: Steven Spielberg)



Eu tinha 10 anos quando meu pai comprou nosso primeiro videocassete. Naquela época eu já tinha meu interesse por cinema, recortava fotos de filmes dos jornais, ia ao cinema de vez em quando. Mas o videocassete foi um divisor de águas, abriu as portas para um novo mundo cheio de possibilidades. Além dos filmes locados, eu podia gravar qualquer coisa que passasse na TV, em qualquer horário, de graça, para ver e rever depois. Mais ou menos na mesma época, a Globo lançou a Tela Quente nas noites de segunda-feira. Ainda me lembro bem da vinheta que anunciava a primeira safra de filmes do programa: a primeira sessão foi no dia 7 de março de 1988, "O Retorno de Jedi". A segunda, "Os Caçadores da Arca Perdida".