
Em 1999, eu havia acabado de terminar um mini-curso de cinema e comecei a escrever um roteiro de curta-metragem com meu amigo Hebert. O nome do projeto era "3 Doses" e, como toda obra de iniciante, era bastante autobiográfica. Falava sobre amizades e desilusões amorosas. Para tentar explicar exatamente o sentido das desilusões do filme, eu escrevi "A Teoria Pedestáltica", um pequeno texto sobre amores não-correspondidos exemplificado com uma porção de músicas. Começava com "Creep" do Radiohead e por aí ia embora. Todas as canções versavam sobre o mesmo tema: colocar uma pessoa no pedestal (daí o título, criado por outra amiga, a Thais). O pessoal gostou bastante daquilo. O curta não passou do primeiro - e fracassado - dia de filmagem, mas eu creio que os atores pegaram o espírito da coisa mais por causa do texto e da fitinha K7 que o acompanhava do que por nossa pouca experiência como diretores de atores. O "3 Doses" tentou virar longa, livro, qualquer outra coisa, mas acabou virando apenas lembrança de uma época boa, depois que cada um dos envolvidos tomou seu rumo. Já a Teoria, um spin-off do roteiro, cresceu, desenvolveu-se, ganhou vida própria e foi parar na internet em 2001, onde permanece até hoje encontrando seguidores mal amados mundo afora.
Todo esse prólogo é apenas para revelar uma frustração: é sempre uma porcaria quando você acha que teve uma boa idéia e logo descobre que ela já foi feita, e de maneira bem melhor, por outra pessoa. Há uns anos atrás eu me senti bastante inteligente tendo a idéia de criar um site para hospedar vídeos de shows, depois de ver um show do Pearl Jam cheio de celulares e câmeras digitais e pensar que era um desperdício todo aquele material não ser armazenado em um único local. Pouco tempo depois o YouTube estourou, e ele era muito mais do que um espaço para vídeos de shows. Deu pra entender? Com a Teoria Pedestáltica foi a mesma coisa, porque logo depois que ela nasceu eu soube da existência do "Alta Fidelidade", um livro do inglês Nick Hornby que estava virando filme com o John Cusack no papel principal e falava basicamente sobre como a música pop pode explicar, influenciar ou ajudar a vida de um sujeito, suas atitudes, seus relacionamentos e, é claro, suas desilusões amorosas.
Assisti ao "Alta Fidelidade" quando ele foi lançado no cinema em 2000 e, desnecessário dizer, a identificação foi imediata. Logo em seguida devorei o livro, comprei a trilha sonora espetacular, assisti à fantástica adaptação para o teatro ("A Vida é Cheia de Som e Fúria", da Sutil Companhia de Teatro, no Teatro do SESI, na Av. Paulista) - e olha que eu nem sou muito de ir ao teatro. "Alta Fidelidade" foi o primeiro DVD que comprei (porque eu queria mesmo que o primeiro fosse algo marcante) e um pôster do filme está na parede da minha sala desde o começo da década, estrategicamente localizado perto dos livros, CDs e DVDs, como Rob Gordon (ou Fleming) gostaria. O pôster é uma beleza, inspirado em Beatles, e faz parte da iconografia esperta do filme, como o LP da abertura, os cartazes lambe-lambe dos créditos finais, a cenografia da loja de discos Championship Vinyl e detalhes dos figurinos, como a jaqueta de couro de Rob, que me incentivou a comprar uma parecida.
A transição do livro para o cinema causou alguma polêmica quando John Cusack resolveu transportar a ação da Inglaterra para os EUA - mais especificamente, Chicago. Ora, como se o local onde se passa a história fosse de alguma importância. Mais tarde eu aprenderia que o público indie, que adora Nick Hornby e adora a Inglaterra, é mesmo cheio de frescuras. Apesar de dirigido pelo competente Stephen Frears, Cusack foi o dono da adaptação. Roteirizou, produziu, escolheu a trilha sonora a dedo e incorporou Rob Fleming com perfeição, apenas trocando o sobrenome pra algo menos britânico: Gordon. Ele escolheu Chicago porque, em Chicago, ele saberia onde um cara que acabou de tomar um pé na bunda sairia para tomar um porre. Há que se louvar essa justificativa. Cusack se tornou mesmo Rob, e se transformou na referência exata de uma geração de homens imaturos, inseguros, carentes e prematuramente nostálgicos que se apegam à uma coleção de discos como se aquilo fosse sua própria personalidade materializada.
O cinema está repleto de comédias românticas feitas para as mulheres. "Alta Fidelidade" é uma comédia romântica para homens. Desculpe-me você mulher que adorou o filme e o livro e conseguiu se identificar com alguma coisa, mas aquilo tudo ali é nosso. Você pode procurar sua turma nos filmes da Bridget Jones ou em "Sex and the City", porque o Rob que chora na chuva, que não se conforma com um pé na bunda injusto, que rola na cama pensando na ex fazendo sexo com outro, que se sente inseguro na cama diante de uma mulher maravilhosa, que fica de bode ouvindo "The River" do Bruce Springsteen no fone de ouvido - esse cara é nosso.
Mas nem só de identificação pessoal e intimismo se faz uma grande obra. "Alta Fidelidade" também causou impacto cultural mundo afora, graças à internet. O termo "cultura pop" passou a ser utilizado com mais frequência para definir toda uma indústria de livros, filmes, músicas e jogos. O próprio termo "pop", que normalmente era usado para definir coisas de gosto duvidoso como Spice Girls e Backstreet Boys passou a ser aplicado em bandas consagradas como o Radiohead e de repente o álbum "Pop" do U2 passou a ser visto com outros olhos, bem menos preconceituosos. Nick Hornby também foi o responsável pelo surgimento da tal literatura pop do novo milênio, que nada mais é do que uma literatura de linguagem jovem e repleta de referências moderninhas - o mundo dos blogueiros. Os top 5 de Rob viraram mania em blogs e comunidades do Orkut (orgulho-me de ter criado a comunidade Top 5, sim senhor). De repente todo mundo que sempre fez rankings de filmes e músicas ficou na moda. Ser nerd virou pop, e ser pop virou cool. Hornby e Cusack estiveram na hora certa e no lugar certo, aproveitando todo o boom pop que a internet proliferou no mundo.
Mas quando eu vi e li "Alta Fidelidade" pela primeira vez, eu tinha vinte e poucos anos. O mundo ainda tinha algumas coisas para me ensinar sobre desilusões amorosas, antes que a identificação pudesse ser plena. Naquela época era apenas o barato da música, da dor, dos rankings e dos corações partidos. Quando você revê o filme na faixa etária de seu protagonista, ou seja, já na casa dos trinta, você percebe que o buraco é mais embaixo. Principalmente porque, quando você tem vinte, você acha que vai chegar aos trinta maduro e calejado, e não é bem por aí.
"O que veio primeiro, a música ou a tristeza? Eu sou triste porque ouço música ou ouço música porque estou triste?" A questão filosófica Hornbyana baseada no biscoito Tostines e na velha pergunta sobre o ovo e a galinha abre o filme, com um John Cusack melancólico, de fone de ouvido, falando com a câmera. Laura (Iben Hjejle) está deixando-o naquele momento. Rob faz um top 5 mulheres que lhe deram um pé na bunda, e deixa Laura de fora, só de birra. Na verdade, ainda é cedo. Como ela acabou de sair, a raiva ainda é maior que a tristeza.
Os flashbacks que explicam os fracassos amorosos de Rob são bem engraçados. Temos Alison Ashmore, a garotinha que o trocou pelo amigo na infância. Penny Hardwick, a adolescente que ainda não estava preparada para o sexo. Sarah Kendrew, a sua parceira de rejeição, tão loser quanto ele, mas que acabou rejeitando-o também. E Charlie Nicholson, designer descolada, antenada, maravilhosa, uma mulher acima de seu nível, intimidante, que nunca o deixou se sentir seguro e confortável. Quando ela o troca por um colega designer musculoso, vemos Rob pela primeira vez chorando na chuva, um adorável clichê de fossa que se repetirá ao longo do filme. Rob nunca superou Charlie, e por ela perdeu a fé, a dignidade e oito quilos. Charlie é a pedestal suprema.
Quando não estamos desvendando o passado de Rob, o alívio cômico fica sob os cuidados de Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black), a inacreditável dupla de funcionários de Rob na loja de discos. O trio é perfeito em seu esnobismo e arrogância, seja enxotando um tiozão careta que só queria comprar "I Just Called To Say I Love You" (da fase ruim do Stevie Wonder nos anos 80), seja criando top 5 dos mais variados temas. Diretor elegante e respeitoso, Stephen Frears entende o que a música significa para aqueles caras, como prova a despretensiosa porém ótima sequência onde o tímido Dick paquera uma moça usando o Green Day como desculpa, enquanto Barry tenta religiosamente salvar a alma de um freguês com Jesus & Mary Chain e Bob Dylan e Rob percebe uma oportunidade mercadológica de vender discos da Beta Band. Destaque para um Jack Black ainda desconhecido querendo roubar o filme, em um papel que ele repetiria à exaustão nos anos seguintes, principalmente em "A Escola do Rock" - quase um filme solo do nosso querido Barry. Já Todd Louiso conquista pela simplicidade do personagem, com sua fala hesitante e olhar deslocado. Na cena em que Rob está reorganizando seus discos em ordem autobiográfica, a expressão de Dick é como se o chefe estivesse construindo um foguete, ou tivesse acabado de descobrir a cura do câncer.
Deixando o humor de lado, temos Iben Hjejle, uma atriz desconhecida que nem é tão boa ou bonita assim e sofre com o papel de "vilã" da história. Entre aspas, você entendeu. É ela que está chutando Rob, então é a vilã. Nós somos identificados como amigos confidentes de Rob, e amigos nem sempre têm a liberdade de julgar o gosto do outro para mulheres. Então aceitamos que Laura merece todo aquele sofrimento, mesmo sem saber direito por quê. Aos poucos vamos compreendendo mais os dois lados da moeda, mas como em todo rompimento que se preze, você tende a ficar do lado do seu amigo, que é quem te conta a versão da história. Os demais clichês de uma separação estão todos lá: a mãe que culpa Rob por não ter pedido a moça em casamento antes; a amiga do casal, Liz (Joan Cusack, irmã de John), que não quer tomar partido, mas que acaba tomando ao ouvir a versão de Laura; explicações bestas como "eu evoluí e você não mudou nada"; as traumáticas devoluções de objetos pessoais; e por aí vai. Todos os traumas de separação são abrilhantados por diálogos sempre geniais saídos das páginas de Nick Hornby, como a análise das calcinhas do dia-a-dia, reflexões como "só pessoas de certa índole têm medo de ficar sozinhas pelo resto da vida aos 26 anos", ou a curta porém simbólica cena onde uma cliente da loja pergunta "você tem soul?" e um miserável Rob responde "ali no fundo, perto do blues".
Em determinado momento, Liz deixa escapar que Laura está morando com um tal de Ian. Rob descobre que Ian era o zen vegetariano fã de world music que morava no andar de cima e fazia sexo por horas. Tim Robbins aparece perfeito com seu rabo-de-cavalo de Steven Seagal e você quase é capaz de sentir o seu cheiro de patchouli. A notícia é suficiente para tirar seu sono. Ele fica imaginando Laura e Ian transando loucamente ao som de Barry White. É quando Laura entra no top 5 com honras e nós começamos a compreender porque ela era tão adorável. Um flashback mostra como eles se conheceram: Rob era DJ e gravou uma fita para ela. Ajuda muito uma declaração de amor sincera como esta: "Ela não me deixava triste, ansioso, nem desconfortável. Pode parecer uma chatice, mas não era”. O top 5 coisas que Rob sente falta nela reforça o sentimento, e vem na forma de um monólogo comovente de Cusack diante da câmera. Mais uma declaração simples e sincera, daquelas que não vemos no cinema todo dia. Não é sentimental e bobo, é simplesmente um homem explicando porque ama uma mulher. Laura também se mostra legal quando analisa o top 5 empregos ideais de Rob, e o convence de que ter uma loja de discos merece uma posição. O filme faz você acompanhar gradualmente o sentimento de Rob pós-rompimento, passando da raiva para a tristeza e para a saudade e para a constatação de que o amor ainda existe.
Quando Rob decide ir atrás das top 5 e perguntar a cada uma delas o que ele fez de errado, o filme recebe uma visita especial: Bruce Springsteen aparece no quarto de Rob como uma entidade conselheira, apoiando sua atitude. Rob agradece, "thanks, Boss". Quem já ouviu uma música e a compreendeu como um conselho de pé do ouvido vindo direto do artista sabe bem o que essa cena representa. Ela não está no livro, e é a maior contribuição do roteiro à adaptação cinematográfica, já que materializa toda a conexão entre artista e ouvinte, sem precisar explicar nada. Para mim, ver Bruce Springsteen numa história de Nick Hornby tem sabor especial: fui me interessar pela obra do Chefe depois de ler "31 Canções" de Hornby, no qual "Thunder Road" tem imenso destaque. E o mesmo "31 Canções" inspirou a criação deste "31 Filmes", o que fecha todo um círculo de referências. Em tempo: descobri que é ótimo ter Bruce Springsteen como amigo conselheiro. O Chefe realmente sabe das coisas.
Em sua busca pelas top 5 do passado, Rob descobre que Alison se casou com o moleque que beijou na escola; que Penny se sente rejeitada até hoje; que Sarah tornou-se uma perdedora desempregada e com problemas médicos, comparada à Adrian do Rocky; e que Charlie, ao contrário do que ele imaginava, é uma mulher idiota, superficial e insuportável. Aquele tipo de constatação que você só percebe à distância, depois que a sujeita já desceu do pedestal. Com os fantasmas do passado exorcizados, Rob está livre para resolver seu presente. Ou seja, Laura. Os diálogos de Rob e Laura discutindo a relação que já acabou são tão reais que chegam a doer. Em determinado momento, ele só quer saber se ela já transou com Ian. Quando ela responde que não transaram AINDA, mas que dormir junto é melhor, ele ignora a segunda sentença (realmente secundária para nós, homens) e vai comemorar transando com a cantora Marie De Salle (Lisa Bonet). Marie representa o fetiche pop, a fantasia de se transar com uma popstar, o que fica bem claro quando o trio Rob, Barry & Dick se encanta com a moça e começa a sonhar em ter seu nome no encarte de um CD dela. Entendo bem a importância disso. Não posso descrever minha felicidade quando tive meu nome impresso nos agradecimentos de um EP do Ludov, ou quando a banda me convidou para fazer figuração no clipe de "Estrelas". Foram os momentos "Alta Fidelidade" máximos na vida de um pacato fã de música que não sabe tocar nada e jamais vai ser capaz de gravar um disco. Mais adiante Laura vai fazer o mesmo por Rob: vai fazer ele deixar de ser um consumidor passivo para se tornar parte daquele mundo. Uma prova de amor e tanto.
Rob está longe de ser perfeito, e são nos seus defeitos que nós, homens, nos identificamos. Cínico, ele usa sua melancolia oportuna para seduzir Marie. Assim que se despede de Marie e a fantasia pop vai embora rua acima, o AINDA de Laura volta para atormentar Rob. A insegurança o faz agir de forma infantil, correndo atrás dela, marcando outro encontro só para ouvir que, dessa vez, ela já transou com Ian. E veja, ele transou com Marie, mas não consegue aceitar que Laura tenha transado com Ian. Não é machismo, é ciúme mesmo. É o fora definitivo. É quando a ficha cai de verdade, a tristeza finalmente supera a raiva e Rob toma chuva novamente, dessa vez ao som de "Oh! Sweet Nuthin'" do Velvet Underground. E ainda tem que aguentar a ida de Ian à loja, na cena mais hilária do filme. A breve cena em que Rob observa Dick e sua namoradinha, Anaugh Moss, a fã de Green Day, enquanto apaga as luzes da loja é emblemática. Se até Dick se ajeitou e você está sozinho, é porque você está com problemas.
O ponto de virada que muda o rumo do filme na sua parte final é a morte do pai de Laura. No velório, sentindo a cobrança ao seu redor, Rob entra na fila para dizer "eu sinto muito" a ela. Rob sai na chuva mais uma vez, desta vez ao som de "Most of the Time" do Bob Dylan, numa das mais belas cenas de fossa da história do cinema. Pense em todas as comédias românticas que apelam para baladinhas de Snow Patrol e Coldplay para emocionar no tradicional clipezinho de fossa, e você vai ver que "Alta Fidelidade" está muitos níveis acima. Sofrer na chuva com Bob Dylan é sofrer com dignidade. Sozinho debaixo d'água, ele assume seus erros, sua falta de comprometimento com Laura, sua covardia. Ela vai atrás dele, eles transam no carro e reatam o namoro. Tudo muito simples, sem grandes arrombos românticos. Ela diz "estou cansada demais pra não ficar com você" e de repente todo o sofrimento anterior se transforma em tempestade em copo d'água como, no geral, é mesmo. Mais uma vez, prevalece a elegância de Frears na cena e a sobriedade do roteiro.
Um último desafio para Rob Gordon surge na figura da jornalista indie Caroline (Natasha Gregson Wagner), mais um fetiche pop em sua vida, trazida ao som de Stereolab para a loja de discos. É essa fantasia final que leva Rob ao clímax do filme, num singelo bar onde ele pede Laura em casamento, enquanto toma sua cerveja long neck com limão. Sua explicação sobre as fantasias que não se realizam e sobre a realidade das calcinhas de algodão cria o meu pedido de casamento preferido do cinema, empatado com Johnny Cash e June Carter no palco, no final de "Johnny & June". Laura diz "você achou que eu fosse aceitar?", Rob responde "Não sei, eu achei que o importante era pedir" e ela conclui com um "Obrigada". Lindo, lindo. A cena final na festa de lançamento do selo Top 5, com Rob de DJ ("dance music for old people"), o lançamento do CD dos skatistas Kinky Wizards e a performance sensacional de Barry Jive and the Uptown Five mandando ver "Let's Get It On" é apenas um epílogo divertido, arrematado por Rob gravando a fita definitiva para Laura ao som de "I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)" de Stevie Wonder (essa, da fase boa). Porque agora ele sabe como fazer uma fita que deixe Laura feliz. E aí eu choro mesmo e penso em todas as fitas que já gravei e nos meus top foras e em tudo que já passei desde que vi esse filme pela primeira vez. Ele continua me ensinando coisas novas a cada revisão, e parece até fazer mais sentido agora, que cheguei nos 30 não muito diferente do que era aos 23. Um dia a gente chega lá, e aprende a gravar a fita certa para a pessoa certa. Acho que a moral da história é essa aí.

9 comentários:
Coincidentemente, eu revi "Alta Fidelidade" pela milionésima vez ontem. E depois de ler o texto, já deu vontade de ver e ler de novo.
eu assisti o alta fidelidade recentemente e coloquei no telão de uma festa que eu faço discotecagem.
Depois de ler isso escorreu uma lagriminha, não tenho o que fazer a não ser assistir o filme de novo
o filme não me marcou muito a primeira vez que vi, mas eu era um bebê(tinha 19), me identifiquei apenas com a parte musical do filme. mas na primeira revisão, há uns 4 anos atrás, que o filme "bateu": lembrei de frases, corri atrás do livro. acho tá na hora de rever de novo (pé na bunda recente, hehe)
eu li o livro antes e fui uma das que ficou cheia de frescuras com as mudanças do filme.
mas ele conseguiu ser muito bom. preciso rever.
também acho a história totalmente masculina, o que é ótimo. na época do livro um amigo da faculdade disse que as mulheres deviam ser proibidas de lê-lo, porque ele entregava tim tim por tim tim como funciona a cabeça de vocês. rá. :)
e putz, esse texto tá muito muito muito bom.
Parabéns, cara, uma das melhores críticas ao filme que já li. E parabéns também pela menção a Hitchcock no topo do blog.
Lágrima marota escorre pelo meu rosto.
"só pessoas de certa índole têm medo de ficar sozinhas pelo resto da vida aos 26 anos".
Isso virou frase pronta da minha vida...
Muito bom o texto, resume de maneira excelente o filme. Depois de lê-lo acabei de encomendar o livro (porque o DVD eu já tenho).
Agora, a frase que mais me marca nesse filme é essa:
"I can see now I never really committed to Laura. I always had one foot out the door, and that prevented me from doing a lot of things, like thinking about my future and... I guess it made more sense to commit to nothing, keep my options open. And that's suicide. By tiny, tiny increments."
Abraços!
Não teve jeito. Depois de ler esse texto, revi o filme de madrugada.
“The type of memories, that turn your bones to glass, turn your bones to glass”...
Pergunta: por onde anda a Iben Hjejle?
abs
Belo texto, como de praxe.
Vamos ver se eu consigo fazer um comentário não-prolixo, mas não conte com isso...
Infelizmente eu não assisti Alta Fidelidade no cinema, mas assisti assim que foi lançado em DVD, se não me engano no comecinho de 2001. E meu, a identificação foi imediata mesmo. Só no final de semana em que a minha mãe alugou o filme eu o assisti mais de uma vez. Sabia que era baseado em um livro de sucesso, mas não tinha muito mais informação além disso. Então eu me informei, mas só consegui comprar o livro em 2004, e desde então já li três vezes (isso sem contar quando eu o pego pra ler trechos específicos que gosto). O filme eu já perdi a conta de quantas vezes assisti. Ganhei o DVD naquele mesmo ano, 2001. Felizmente é um daqueles casos em que tudo é perfeito: livro, filme, trilha sonora. Fiquei tão impressionado com "You're Gonna Miss Me" na abertura que acabei baixando toda a breve discografia do 13th Floor Elevators.
A presença do Chefe como "conselheiro" tocando aquela levada blues básica foi uma das soluções mais bacanas do roteiro. Já que no livro o Nick Hornby cita "Bobby Jean" como mote para o Rob ir atrás do Top 5 foras, nada melhor que colocar o Chefe e sua Fender em cena. Um tremendo livro e um filmaço. Só os indiezinhos mal amados chiaram de algumas coisas, como quase sempre. Se tivessem colocado o Stephen Malkmus no lugar do Bruce eles teriam aprovado. :)
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